A novela sobre o pagamento dos salários dos médicos do Hospital Casa de Saúde de Santa Maria continua, assim como a ameaça dos profissionais em paralisar os serviços. Cansados de tentar resolver a situação e de não ter a garantia de que o valor que está em atraso seja quitado, o grupo de médicos afirma, mais uma vez, que vai parar de atender os pacientes.
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Em 19 de setembro, foi firmado um acordo entre os profissionais que trabalham na maternidade, e a Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas), empresa que administra o hospital. O documento previa que o pagamento dos salários fosse feito até a data de hoje. A proposta dos médicos é paralisar o atendimento a partir das 7h30min de amanhã, dia 1º de novembro. De acordo com Manoel Souza Júnior, médico ginecologista e obstetra da maternidade, a categoria conversou no último final de semana e decidiu tomar essa decisão mesmo que haja uma nova proposta hoje.
– A gente cansou de promessas. Não temos garantia nenhuma de que vamos receber e, mesmo que receba agora, não tem nenhuma garantia que vamos continuar recebendo. Temos um documento assinado por eles que ia ser pago tudo até o dia 31 (hoje), mas, na verdade, nunca nos procuraram. A nossa data limite era dia 31, e a Casa de Saúde sabia disso. Então, a gente vai parar – afirma Manoel.
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Ainda conforme o médico, a decisão não é somente pelo não pagamento dos salários, mas por não ter nenhuma perspectiva de que os salários não serão mais atrasados. Situação que os médicos enfrentam há pelo menos um ano:
– Mesmo sendo um problema histórico, desde que eu faço parte do quadro clínico, outubro de 2015, essa é a primeira vez que atrasa tanto tempo.
A NOVELA DO NÃO PAGAMENTO
Os médicos da maternidade da Casa de Saúde estão sem receber os salários dos meses de julho, agosto e setembro. O mês de outubro irá vencer no início de novembro. Ao todo, oito profissionais trabalhavam no local. Desses, duas médicas saíram e outra sairá em breve.
No começo deste mês, ocorreu uma assembleia dos médicos em que, na ocasião, o corpo clínico notificou a direção do hospital informando que, se em 30 dias não houvesse negociação sobre os salários dos profissionais, o grupo iria suspender as atividades, podendo rescindir o contrato. Segundo o diretor técnico do hospital, Fernando Schwarcke, a direção ainda está buscando alternativas conseguir regularizar a situação dos 50 médicos.
– A direção acha que vai conseguir pagar alguma coisa para os médicos. É uma possibilidade, mas não há nada concreto ainda. Não tem avanço de proposta, mas, até o dia 10, ainda tem muito tempo. Todos os médicos querem alguma coisa concreta da direção de como vão organizar os pagamentos. A maternidade não vai parar. Os médicos só vão parar no momento em que a assembleia dos médicos decidir parar. Eles não vão parar em separado, porque eles estão junto com os outros médicos – ressalta Fernando.
Posição que não é defendida pelos profissionais da maternidade, que afirmam não vão esperar até o dia 10, conforme o acordo anterior ao da assembleia.
Casa de Saúde pede ajuda ao Estado
O Diário entrou em contato com o administrador do hospital, Rogério Carvalho, que não atendeu às ligações. O mesmo ocorreu com a médica responsável técnica pelo setor da maternidade, Maria Aparecida Brizola Mayerm e com a diretora da Sefas, irmã Ubaldina Souza e Silva. Outros médicos do setor também foram contatados, mas as ligações também não foram atendidas. A reportagem solicitou ainda uma posição para a Maldaner Comunicação & Marketing, empresa que presta assessoria ao hospital, mas as questões não foram retornadas.

ENTENDA A SITUAÇÃO
– Na assembleia do médicos, realizada no dia 9/10, os profissionais notificaram a direção do hospital Casa de Saúde sobre a decisão de suspender os atendimentos caso não haja acordo no pagamento dos salários em 30 dias. Esse prazo encerra-se no dia 10 de novembro
– A Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas), instituição que administra o hospital, enviaria, um documento para Secretaria Municipal de Saúde, 4ª Coordenadoria Regional de Saúde, Comissão Municipal de Saúde, Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, Ministério Público, Conselho Regional de Medicina e Sindicato Médico, sobre a decisão dos médicos, como forma de pressionar os responsáveis pela saúde. O que segundo diretor técnico do hospital, Fernando Schwarcke, não aconteceu
– A dívida da Casa de Saúde com os 50 médicos ultrapassa R$ 2 milhões
– Conforme a direção do hospital, o estado deve R$ 3,9 milhões
– A 4ª Coordenadoria Regional de Saúde não reconhece o valor da dívida e afirma que o Estado deve um mês de contrato
– Os médicos da Maternidade estão com os salários do mês de julho, agosto e setembro vencidos, e o mês de outubro prestes a vencer. Eles afirmam que vão parar os atendimentos a partir de amanhã